Canto do Desvincular – poesia em forma de canção
No compasso das horas, desfez-se o enlace,
Ecoa a lembrança em silêncio e descompasso.
Nos dedos, a saudade — fio tênue de um laço,
Que se soltou, por fim, no adeus e no cansaço.
E a voz que antes era lume
Fenece agora em dor serena;
Entre pulsares de um passado
Cresce a ausência — fria e plena.
Te vejo ir, sem rumo certo,
Como linha que solta do novelo.
E o coração, ainda aberto,
Aprende a dor — aprende o desvelo.
Foi num suspiro que o amor se esvaiu,
Como chuva que finda ao romper do dia.
Cada toque, agora só memória,
Cada sonho, fragmento em poesia.
E na partitura das almas,
Resta o silêncio em tom profundo —
Que, mesmo ferido, segue em frente
E muda o ritmo, muda o mundo.
Te deixo ir — teu nome ecoa,
Mas a vida segue seu compasso.
No fim, a dor se faz canção,
E eu me encontro no abraço
Do recomeço, do passo.
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